Celular ao volante pode gerar três tipos de multa em SP

Detran-SP explica três enquadramentos para o uso do celular ao volante e aponta queda de 18,6% nas autuações no primeiro semestre.

Marcelo OrtegaMarcelo Ortega · Leitura cívica
Motorista atento mantém as duas mãos no volante e o celular fora de uso durante a condução

O celular ao volante em SP pode levar a três enquadramentos diferentes, conforme a forma como o aparelho é usado durante a condução. O Detran-SP detalhou nesta quarta-feira, 29 de julho, que falar, segurar ou manusear o telefone não são situações iguais no Código de Trânsito Brasileiro e podem resultar em multa média ou gravíssima.

O balanço divulgado pelo Governo de São Paulo também mostra que o estado registrou 103.663 autuações relacionadas ao celular entre janeiro e junho de 2026. No mesmo período de 2025, foram 127.432 ocorrências. A redução foi de 18,6%, mas o volume atual ainda equivale a centenas de infrações por dia e reforça a necessidade de atenção de motoristas em Avaré, na região e em todo o território paulista.

Celular ao volante em SP: quais são as três infrações

Dirigir falando ao telefone, inclusive com fones de ouvido, é infração média. A penalidade informada pelo Detran-SP é de quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação e multa de R$ 130,16. O enquadramento se refere ao uso do aparelho para conversação durante a condução.

Segurar o telefone em uma das mãos é infração gravíssima, com sete pontos na CNH e multa de R$ 293,47. Manusear o aparelho, como ocorre ao digitar uma mensagem ou navegar pela tela, também é infração gravíssima e gera os mesmos sete pontos e o valor de R$ 293,47.

  • falar ao celular, mesmo com fone: infração média, quatro pontos e multa de R$ 130,16;
  • segurar o aparelho: infração gravíssima, sete pontos e multa de R$ 293,47;
  • manusear ou digitar: infração gravíssima, sete pontos e multa de R$ 293,47.

A diferença entre os enquadramentos não transforma nenhuma das condutas em segura. Ela apenas define a classificação administrativa prevista para cada comportamento observado durante a fiscalização. Para o motorista, a orientação prática é não iniciar chamadas, não manter o telefone na mão e não interagir com a tela enquanto o veículo estiver em movimento.

Autuações caíram, mas ainda passam de 100 mil

O maior número de registros está no manuseio do telefone. Foram 76.762 autuações no primeiro semestre de 2026, ante 93.953 no mesmo intervalo de 2025. A conduta de segurar o aparelho caiu de 18.532 para 14.885 registros, enquanto o uso para falar passou de 14.947 para 12.016.

Somadas, as três modalidades chegaram a 103.663 autuações nos primeiros seis meses deste ano. A queda em relação a 2025 é positiva, mas não significa que a distração deixou de ser um problema. Os dados representam apenas as infrações efetivamente registradas pela fiscalização e não permitem estimar quantas vezes o telefone foi usado sem abordagem.

Por que alguns segundos de distração aumentam o risco

Mão guarda o celular com a tela desligada no porta-objetos de um carro estacionado
Imagem original gerada por IA para mostrar uma medida simples de prevenção antes de dirigir.

Olhar para a tela retira do motorista informações essenciais sobre pedestres, ciclistas, motociclistas, semáforos e mudanças repentinas no fluxo. A Agência SP cita estimativa da Organização Mundial da Saúde segundo a qual o uso do celular ao volante aumenta em 400% o risco de sinistros de trânsito.

A mesma divulgação reúne outras referências de segurança viária. A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego informa que digitar uma mensagem a 80 km/h pode equivaler a percorrer até 100 metros sem atenção visual adequada. Estudo da RAC Foundation, também citado pelo governo estadual, aponta que enviar mensagens pode retardar a reação do motorista em 35%.

Em vias urbanas, o risco não desaparece porque a velocidade é menor. Uma breve distração pode ser suficiente para deixar de perceber uma faixa de pedestres, uma bicicleta, um veículo freando ou uma criança próxima à rua. Em rodovias, a distância percorrida durante o mesmo intervalo aumenta e reduz ainda mais o tempo disponível para reagir.

Como reduzir a tentação de usar o aparelho

A recomendação do Detran-SP é usar o celular apenas com o veículo estacionado e o motor desligado. Parar em semáforo ou enfrentar congestionamento não cria uma pausa segura para digitar, pois o motorista continua responsável pelo veículo e precisa acompanhar o trânsito.

Antes de sair, vale configurar a rota, escolher a música e avisar contatos de que não será possível responder durante o trajeto. Guardar o telefone em um compartimento fechado ou ativar o modo de direção ajuda a reduzir a reação automática a sons e notificações. Se uma ligação ou mensagem for realmente necessária, o caminho seguro é procurar um local permitido, estacionar e desligar o motor antes de usar o aparelho.

O que o dado representa para Avaré e região

As regras e penalidades valem em todo o estado, inclusive nas ruas de Avaré e nas rodovias que conectam os municípios da região. O balanço publicado não apresenta recorte municipal, portanto não é possível atribuir parte das 103.663 autuações a Avaré sem dados específicos.

A informação estadual ainda é útil para a prevenção local porque esclarece uma dúvida comum: falar, segurar e manusear o celular têm enquadramentos próprios, mas todas as condutas comprometem a atenção. Planejar o uso do aparelho antes de ligar o veículo é uma medida simples que protege quem dirige e todas as pessoas que compartilham a via.

Perguntas frequentes

Falar ao celular com fone evita multa?

Não. Segundo o Detran-SP, dirigir falando ao telefone, mesmo com fones de ouvido, é infração média, com quatro pontos na CNH e multa de R$ 130,16.

Segurar e digitar no telefone têm a mesma penalidade?

As duas condutas são classificadas como gravíssimas. Cada uma pode gerar sete pontos na CNH e multa de R$ 293,47.

Posso responder uma mensagem parado no semáforo?

A orientação segura é não manusear o aparelho. O Detran-SP recomenda utilizar o celular somente com o veículo estacionado e o motor desligado.

Fontes

Marcelo Ortega
Sobre o autor

Marcelo Ortega

Atua em Avaré-SP e região acompanhando temas de interesse público: saúde, inclusão, educação, mobilidade, proteção animal e desenvolvimento social. Neste portal, publica notícias e análises com compromisso com a informação correta e a escuta da comunidade.

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