A prevenção da febre maculosa voltou ao centro das orientações de saúde em São Paulo após o estado registrar 19 casos confirmados e 18 mortes em 2026. O alerta divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde nesta quinta-feira, 23 de julho, reforça que a doença pode evoluir rapidamente e que o tratamento deve começar o mais cedo possível quando houver suspeita.
A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados. Esses parasitas podem estar associados a animais como capivaras, cavalos e cães, mas a transmissão para a pessoa ocorre pelo carrapato. Para moradores de Avaré e da região, onde há áreas rurais, vegetação, trilhas e contato frequente com animais, a orientação prática é reconhecer situações de exposição sem presumir que exista um caso local.
São Paulo confirma 19 casos e 18 mortes em 2026
Segundo o balanço estadual, os locais prováveis de infecção já identificados incluem regiões de vigilância de Campinas, Piracicaba, Sorocaba, Santo André e São José dos Campos. Parte dos casos ainda está em investigação. A divulgação não atribui ocorrência a Avaré, portanto os dados não devem ser interpretados como confirmação da doença no município.
Em 2025, São Paulo registrou 61 casos confirmados e 44 mortes. A comparação mostra por que a suspeita clínica e o atendimento rápido são decisivos: a quantidade de casos pode ser pequena em relação a outras doenças, mas a febre maculosa pode apresentar alta gravidade quando o início do tratamento é atrasado.
Onde o contato com carrapatos exige mais atenção
Os carrapatos vivem principalmente em locais com vegetação e se alimentam de animais de médio e grande porte. Áreas rurais, pastos, margens de rios, trilhas, matas e terrenos com capim alto merecem atenção especial. O cuidado também vale para quem trabalha no campo, pratica pesca, faz caminhada, visita chácaras ou acompanha animais em ambientes externos.
Encontrar um carrapato não significa automaticamente que houve infecção. Ainda assim, a pessoa deve retirar o parasita com cuidado, observar a data e lembrar onde esteve. Essa informação pode ajudar a equipe de saúde caso apareçam sintomas nos dias seguintes.
Prevenção da febre maculosa começa antes da exposição
Quando for necessário entrar em área com vegetação, a recomendação é usar calça comprida, camisa de manga longa, bota ou calçado fechado e roupas claras, que facilitam a visualização do carrapato. Repelentes devem ser aplicados conforme as instruções do fabricante, respeitando indicação de uso e reaplicação.
Durante atividades mais longas, vale examinar a roupa e o corpo periodicamente. Na volta para casa, a inspeção deve incluir pernas, tornozelos, cintura, axilas, atrás dos joelhos, couro cabeludo e outras áreas de difícil visualização. Crianças e pessoas que precisem de apoio devem contar com a ajuda de um responsável.
Como retirar um carrapato com segurança

Se o carrapato estiver preso à pele, a orientação oficial é usar uma pinça, segurá-lo com firmeza e retirá-lo com movimento delicado, sem esmagar. Depois, o local deve ser lavado com água e sabão ou higienizado com álcool. Não se deve apertar, torcer ou queimar o parasita sobre a pele.
As roupas usadas em área de risco também precisam de atenção. A Secretaria de Estado da Saúde recomenda lavagem com água quente ou fervente para eliminar carrapatos que possam ter permanecido no tecido. Calçados, mochilas e equipamentos devem ser inspecionados antes de serem guardados.
Sintomas podem aparecer dias depois
Os primeiros sinais costumam surgir cerca de sete dias após a infecção. Febre, dor de cabeça intensa, dores no corpo e nas articulações e cansaço estão entre os sintomas citados pelo Estado. Entre o terceiro e o quinto dia da doença, podem aparecer manchas avermelhadas que começam nos pulsos e tornozelos e se espalham para braços, palmas das mãos e solas dos pés.
Esses sintomas podem se confundir com outras infecções. Por isso, quem teve contato com carrapatos ou esteve em área de risco deve informar essa exposição ao profissional de saúde. O histórico do local visitado e a data aproximada ajudam na avaliação, mesmo que a pessoa não se lembre de uma picada.
Tratamento pelo SUS não deve esperar agravamento
O diagnóstico e o tratamento estão disponíveis no SUS em Unidades Básicas de Saúde, prontos atendimentos e hospitais. A orientação é procurar atendimento imediatamente diante dos primeiros sintomas associados a uma possível exposição. O Ministério da Saúde informa que, havendo suspeita clínica, o antibiótico deve ser iniciado sem aguardar a confirmação laboratorial.
O paciente não deve tomar antibiótico por conta própria nem tentar definir o diagnóstico apenas pelos sintomas. A conduta precisa ser indicada por profissional de saúde. A principal mensagem do alerta é simples: prevenção reduz o contato com carrapatos, e atendimento rápido aumenta a chance de evitar complicações graves.
Perguntas frequentes
Capivaras, cavalos ou cães transmitem a doença diretamente?
A transmissão para seres humanos ocorre pela picada do carrapato infectado. Animais podem atuar como hospedeiros de carrapatos, mas o contato com o animal, por si só, não equivale à transmissão direta da febre maculosa.
O que informar ao procurar uma unidade de saúde?
Informe os sintomas, quando começaram, os locais com vegetação visitados e qualquer contato encontrado com carrapatos. Mesmo sem lembrar de uma picada, relate atividades rurais, trilhas, pescarias ou contato com áreas de mata e capim.
Há casos confirmados em Avaré?
O comunicado estadual de 23 de julho não atribui casos a Avaré. A notícia apresenta uma orientação preventiva para todo o estado e não deve ser lida como confirmação de ocorrência no município.




