HPV pode causar câncer de cabeça e pescoço, alerta SP

Alerta de saúde de São Paulo destaca a relação entre HPV e câncer de cabeça e pescoço. Veja prevenção, sinais de atenção e quando procurar atendimento.

Marcelo OrtegaMarcelo Ortega · Leitura cívica
Profissional de saúde orienta paciente sobre HPV e prevenção do câncer de cabeça e pescoço

O HPV e câncer de cabeça e pescoço têm uma relação que merece atenção da população. Um alerta publicado nesta sexta-feira, 31 de julho, pelo Governo do Estado de São Paulo explica que infecções sexualmente transmissíveis, especialmente pelo papilomavírus humano, podem favorecer tumores na região da boca e da garganta. A orientação vale para moradores de todo o estado, incluindo Avaré e as cidades da região.

A informação não significa que toda pessoa com HPV desenvolverá câncer. A infecção é muito comum e, na maior parte das vezes, desaparece espontaneamente. O risco aumenta quando há persistência de tipos oncogênicos do vírus e associação com outros fatores, como tabagismo, consumo de álcool e baixa imunidade. Por isso, prevenção, vacinação e avaliação profissional diante de sinais persistentes são medidas importantes.

Como o HPV se relaciona ao câncer de cabeça e pescoço

O HPV reúne mais de 200 tipos de vírus capazes de infectar a pele e as mucosas. Alguns são classificados como de alto risco porque podem provocar alterações celulares que, ao longo do tempo, favorecem o surgimento de câncer. Os tipos 16 e 18 estão entre os mais associados a tumores e também podem atingir a orofaringe, área que inclui a base da língua e as amígdalas.

Segundo o alerta estadual, a prática clínica vem registrando aumento de casos de câncer de orofaringe relacionados ao HPV. O Governo de São Paulo também cita crescimento dos atendimentos por tumores desse tipo entre 2021 e 2025. Esses dados reforçam a necessidade de informação sem alarmismo: ter contato com o vírus não equivale a receber um diagnóstico de câncer.

O HIV também pode aumentar a vulnerabilidade a alguns tumores quando não está controlado, pois compromete as defesas do organismo. Pessoas que vivem com HIV devem manter acompanhamento regular e adesão ao tratamento indicado. A prevenção deve ser conduzida de forma acolhedora, sem culpa ou estigma.

Vacinação é a principal forma de prevenção contra o HPV

Profissional de saúde orienta família sobre vacinação contra HPV e atenção à saúde da boca
Imagem gerada por IA para ilustrar vacinação e prevenção contra o HPV.

A vacina contra o HPV é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, crianças e adolescentes de 9 a 14 anos recebem uma dose. Pessoas imunodeprimidas, vítimas de violência sexual, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV e outros grupos definidos pelo calendário nacional seguem esquemas específicos, conforme idade e condição clínica.

Moradores de Avaré e região podem consultar a Unidade Básica de Saúde mais próxima para confirmar público atendido, documentos necessários, horário da sala de vacinação e eventual atualização das regras. Quem perdeu o período recomendado não deve concluir sozinho que não pode ser vacinado: a equipe de saúde pode avaliar a situação e orientar o caminho correto.

O uso de preservativos internos ou externos reduz o risco de transmissão, embora não ofereça proteção total porque o vírus também pode estar em áreas não cobertas. Evitar tabaco e reduzir o consumo de álcool ajuda a diminuir outros fatores associados aos tumores de boca, garganta e laringe.

Sinais persistentes precisam de avaliação profissional

Feridas na boca que não cicatrizam em até 15 dias, manchas, caroços, dificuldade para engolir, rouquidão persistente ou mudanças incomuns na boca e na garganta não confirmam câncer por si só. Ainda assim, esses sinais não devem ser ignorados, principalmente quando persistem ou pioram.

A recomendação é procurar uma UBS, dentista ou médico para avaliação. O diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento e evita que a pessoa dependa de informações genéricas da internet para interpretar sintomas. Em caso de alteração, apenas um profissional pode indicar exames, encaminhamento e conduta adequada.

A inspeção da boca em casa pode ajudar a perceber mudanças, mas não substitui consulta nem exames. Também não é indicado usar medicamentos, pomadas ou receitas caseiras por conta própria para mascarar uma lesão persistente.

O que fazer em Avaré e região

O primeiro passo é conferir a situação vacinal e manter a caderneta atualizada. Pais e responsáveis devem verificar a vacinação de crianças e adolescentes. Adultos pertencentes a grupos especiais precisam buscar orientação individualizada no serviço de saúde.

Quem notar sinais persistentes deve procurar a rede básica do município onde mora. Ao solicitar atendimento, é útil informar quando a alteração começou, se houve dor, sangramento, dificuldade para engolir, perda de peso ou mudança de voz, além do uso de medicamentos e de hábitos como tabagismo e consumo de álcool.

Informação segura também faz parte da prevenção. Conteúdos que associam HPV a culpa, promiscuidade ou diagnóstico inevitável de câncer são incorretos e podem afastar pessoas do cuidado. A abordagem adequada combina vacinação, sexo seguro, acompanhamento de saúde e atenção a alterações persistentes.

Perguntas frequentes

Toda infecção por HPV causa câncer?

Não. A maioria das infecções regride espontaneamente. Alguns tipos de alto risco podem persistir e favorecer alterações celulares, mas isso depende de vários fatores e exige avaliação profissional.

A vacina serve apenas para meninas?

Não. O calendário nacional inclui meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de grupos especiais com esquemas próprios. A UBS pode confirmar a recomendação aplicável a cada pessoa.

Uma ferida na boca significa câncer?

Não necessariamente. Muitas alterações têm causas benignas, mas feridas que não cicatrizam em até 15 dias e outros sinais persistentes precisam ser avaliados por dentista ou médico.

Fontes

Marcelo Ortega
Sobre o autor

Marcelo Ortega

Atua em Avaré-SP e região acompanhando temas de interesse público: saúde, inclusão, educação, mobilidade, proteção animal e desenvolvimento social. Neste portal, publica notícias e análises com compromisso com a informação correta e a escuta da comunidade.

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