SP reforça prevenção à leishmaniose e proteção dos cães

São Paulo reforça medidas de prevenção da leishmaniose em pessoas e cães, com limpeza ambiental, proteção contra o mosquito-palha e atenção aos sinais.

Marcelo OrtegaMarcelo Ortega · Leitura cívica
Tutora cuida de cão em quintal limpo para prevenir a leishmaniose

A prevenção da leishmaniose ganhou novo alerta da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo durante a semana nacional de controle da doença. A orientação alcança moradores de todo o estado, inclusive Avaré e região, porque combina cuidados simples no ambiente, proteção das pessoas e acompanhamento responsável dos cães.

A leishmaniose visceral é uma infecção grave que pode atingir seres humanos e cães. A transmissão ocorre pela picada da fêmea infectada do flebotomíneo conhecido como mosquito-palha. O convívio com um cão não transmite diretamente a doença para a pessoa, assim como não há passagem direta entre pessoas. O risco depende da presença do vetor infectado.

Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado, São Paulo registrou 336 casos humanos e 37 mortes entre 2021 e 2025. Em 2026, até maio, foram contabilizados 17 casos e um óbito. Os números reforçam a necessidade de reconhecer os riscos e agir antes que o inseto encontre condições favoráveis para se reproduzir.

Prevenção da leishmaniose começa no ambiente

Limpeza de folhas e matéria orgânica em quintal com cão ao fundo
Imagem gerada por IA para ilustrar o manejo ambiental contra o mosquito-palha.

O mosquito-palha se desenvolve melhor em locais úmidos, sombreados e com matéria orgânica acumulada. Por isso, a principal atitude doméstica é manter quintais, terrenos e espaços usados pelos animais livres de folhas, frutos caídos, fezes e outros resíduos que retêm umidade.

A recomendação estadual inclui telas de malha fina em portas e janelas e, quando necessário, mosquiteiros. Repelentes regularizados também podem ser usados conforme sua indicação. Em áreas com transmissão, é prudente reduzir a exposição ao ar livre no fim da tarde e à noite, períodos em que o vetor costuma apresentar maior atividade.

  • recolha folhas, frutos e resíduos orgânicos com frequência;
  • mantenha canis, casinhas e áreas de permanência dos animais limpos e secos;
  • evite pontos sombreados com umidade constante e material em decomposição;
  • use telas e mosquiteiros quando a situação do imóvel exigir;
  • procure orientação oficial sobre o cenário epidemiológico do município.

Cães precisam de proteção orientada pelo veterinário

No ambiente urbano, o cão é o principal reservatório do parasito. Isso significa que o mosquito pode se infectar ao picar um animal com leishmaniose e depois transmitir o agente a outra pessoa ou animal. Cães sem sinais aparentes também podem participar desse ciclo, o que torna a avaliação veterinária especialmente importante em áreas de transmissão.

A Secretaria da Saúde recomenda proteger os cães contra a picada do mosquito-palha com inseticidas repelentes próprios para a espécie, como coleiras e outras apresentações, sempre conforme a indicação de um médico-veterinário. Produtos domésticos ou improvisados não devem substituir uma orientação profissional, pois a escolha depende do animal e do contexto sanitário.

Entre os sinais que podem levantar suspeita estão feridas ou descamação na pele, principalmente ao redor dos olhos, orelhas e extremidades; perda de pelos; emagrecimento; redução de massa muscular; crescimento exagerado das unhas; alterações nos olhos; apatia; sangramento nasal ou sangue nas fezes. Caroços em regiões como abaixo da mandíbula também exigem atenção.

Suspeita não deve levar a decisões por conta própria

A presença de um ou mais sinais não confirma a doença. O caminho correto é procurar atendimento veterinário para avaliação e seguir as orientações sanitárias aplicáveis. Como alguns cães infectados permanecem sem sintomas, apenas a observação do tutor não é suficiente para excluir o problema quando existe risco epidemiológico.

Também é importante evitar a associação equivocada entre convivência e transmissão direta. O cão não passa a leishmaniose para a pessoa pelo contato cotidiano. O mosquito-palha é o vetor. Cuidar do animal, reduzir a presença do inseto e buscar diagnóstico responsável protegem a família e a comunidade sem incentivar abandono ou medidas precipitadas.

Sinais em pessoas exigem avaliação de saúde

Em seres humanos, a forma visceral pode causar febre prolongada, aumento do fígado e do baço, perda de peso, fraqueza e anemia. Diante desses sintomas, a orientação é procurar um serviço de saúde. Diagnóstico e tratamento precoces ajudam a reduzir o risco de complicações.

A vigilância estadual acompanha casos humanos e caninos, investiga áreas de transmissão, monitora o mosquito-palha e apoia municípios em medidas de manejo ambiental e controle vetorial. Para o morador, a contribuição mais direta é manter o ambiente limpo, observar os animais e recorrer a profissionais habilitados quando surgir uma suspeita.

Perguntas frequentes

O cão transmite leishmaniose diretamente para a pessoa?

Não. A transmissão ocorre pela picada do mosquito-palha infectado, e não pelo contato cotidiano com o animal.

Quais cuidados reduzem a presença do vetor?

Retirar matéria orgânica, reduzir umidade, manter locais dos animais limpos e usar barreiras e repelentes regularizados são medidas indicadas pela Secretaria da Saúde.

O que fazer se o cão apresentar sinais suspeitos?

Procure um médico-veterinário e siga as orientações sanitárias. Não é possível confirmar a doença apenas pelos sinais observados em casa.

Fontes

Marcelo Ortega
Sobre o autor

Marcelo Ortega

Atua em Avaré-SP e região acompanhando temas de interesse público: saúde, inclusão, educação, mobilidade, proteção animal e desenvolvimento social. Neste portal, publica notícias e análises com compromisso com a informação correta e a escuta da comunidade.

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