Um semáforo inteligente para pedestres desenvolvido em pesquisa da Escola Politécnica da USP reduziu em 71,42% o tempo médio de viagem a pé nos cruzamentos simulados. O resultado equivaleu a cerca de um minuto a menos de espera em parte dos cenários e foi divulgado neste domingo, 9 de agosto, pela Agência SP.
A proposta usa detecção para reconhecer se uma pessoa ainda está na faixa. Em vez de encerrar automaticamente o sinal verde após um intervalo fixo, o sistema pode manter os veículos parados enquanto a travessia não terminou. A lógica busca atender especialmente idosos, crianças e pessoas com mobilidade reduzida, sem ignorar o fluxo dos carros.
Como funciona o semáforo inteligente para pedestres

O programa abre o sinal para quem está a pé e acompanha a ocupação da faixa. Se a travessia já terminou, o ciclo pode liberar os veículos. Se o sensor ainda identifica uma pessoa no percurso, o verde do pedestre permanece ativo e os carros continuam parados.
A pesquisa foi construída com dados de geometria das vias, quantidade de veículos e pedestres, movimentos de travessia e ocorrências como a passagem fora da faixa. O algoritmo foi programado em C# e testado em micromodelos de tráfego feitos no software PTV VISSIM.
Simulações apontaram ganho para pedestres e veículos
Os pesquisadores modelaram quatro pontos da cidade de São Paulo: dois no campus da USP, um diante do Terminal Rodoviário Cidade Tiradentes e outro no cruzamento da Avenida Rebouças com a Rua Oscar Freire. Os locais reuniam contextos diferentes de circulação, urbanização e vulnerabilidade dos usuários.
O tempo médio de viagem dos pedestres caiu aproximadamente 71% no conjunto das simulações. Nos modelos do Hospital Universitário e de Cidade Tiradentes, a redução da espera chegou a um minuto; na Praça dos Bancos, dentro do campus, foi de 58 segundos. O tempo máximo de espera de quem atravessava caiu, em média, 69%.
Também houve efeito positivo para veículos em dois modelos. Na Praça dos Bancos e em Cidade Tiradentes, o tempo médio de espera dos carros diminuiu 22%. O tempo máximo veicular aumentou 30,90 segundos em determinados cenários, variação considerada aceitável pelos autores porque o objetivo principal era proteger o pedestre.
Mobilidade reduzida foi um dos pontos centrais
Um cruzamento diante de hospital pode receber pessoas doentes, idosos, crianças e cadeirantes, cada grupo com ritmos diferentes. Um ciclo fixo nem sempre acompanha essas necessidades. A detecção proposta tenta adaptar o tempo de travessia à situação observada, reduzindo a pressão para que alguém acelere o passo ou fique exposto na pista.
O estudo também olhou para áreas periféricas, onde deslocamentos a pé, ônibus e travessias fazem parte da rotina. A pesquisa aponta que priorizar pedestres não significa necessariamente paralisar o trânsito: uma programação ajustada aos fluxos pode diminuir conflitos e, em alguns cenários, melhorar também a espera dos veículos.
Pesquisa ainda não significa instalação nas ruas
Os resultados vieram de simulações computacionais. As fontes consultadas não anunciam que o sistema já tenha sido instalado em Avaré ou em outro município, nem apresentam cronograma de implantação. Portanto, os percentuais não devem ser interpretados como desempenho garantido em qualquer cruzamento real.
Antes de uma eventual adoção, gestores de trânsito precisariam estudar cada local, validar sensores, tempos semafóricos, acessibilidade, sinalização e segurança operacional. Volume de pedestres, desenho da via, horários de pico e transporte coletivo podem alterar a resposta do sistema. A pesquisa oferece um método promissor, mas a aplicação depende de testes e decisões públicas posteriores.
O que o estudo representa para Avaré e região
Para Avaré e cidades da região, o trabalho amplia o repertório de soluções que podem ser consideradas em futuros estudos de mobilidade. Travessias próximas a hospitais, escolas, terminais e serviços públicos são pontos em que a diversidade de ritmos precisa receber atenção especial.
Isso não equivale a recomendar instalação imediata ou afirmar que existe projeto local. O dado útil é que uma instituição pública paulista testou uma lógica capaz de priorizar quem caminha sem causar impacto negativo significativo ao fluxo veicular nas simulações. Qualquer análise municipal deve partir de dados locais e de avaliação técnica do cruzamento.
Perguntas frequentes
O semáforo inteligente já está funcionando em São Paulo?
As fontes descrevem simulações realizadas em quatro cruzamentos modelados. Não há anúncio de implantação operacional do sistema nas vias.
Quanto caiu o tempo dos pedestres?
O tempo médio de viagem a pé diminuiu 71,42% nas simulações, com redução aproximada de um minuto em parte dos cenários analisados.
Os carros ficaram mais tempo parados?
Em dois modelos, o tempo médio de espera dos veículos caiu 22%. Houve aumento de 30,90 segundos no tempo máximo em determinados cenários, considerado aceitável pelos pesquisadores.





