Proposta avança para uso terapêutico de telas nas escolas

Comissão da Câmara aprovou proposta sobre uso planejado de celulares, tablets e computadores como apoio complementar a estudantes autistas.

Marcelo OrtegaMarcelo Ortega · Leitura cívica
Estudante autista usa tablet com apoio de profissional em sala de aula

O uso terapêutico de telas nas escolas avançou uma etapa nesta segunda-feira, 13 de julho. A Comissão de Educação da Câmara aprovou o Projeto de Lei 321/2026, que propõe regras para computadores, tablets e celulares usados por profissionais habilitados no atendimento de estudantes com transtorno do espectro autista (TEA).

A decisão interessa a famílias, profissionais e escolas de Avaré, da região e de todo o Estado de São Paulo porque o texto tem alcance nacional. Mas há um cuidado essencial: a proposta ainda não virou lei e não altera imediatamente as rotinas escolares. Ela continuará em análise antes de uma eventual aprovação definitiva.

O que prevê o uso terapêutico de telas nas escolas

Profissionais planejam uso terapêutico de telas nas escolas para estudante com TEA
Imagem original gerada por IA para ilustrar o planejamento de tecnologia assistiva no ambiente escolar.

O projeto define o recurso digital como instrumento de apoio terapêutico. A aplicação deve ser planejada e orientada, integrar objetivos clínicos, educacionais e de desenvolvimento e se relacionar ao plano individual do estudante. O texto cita computadores, tablets e celulares, sem limitar o atendimento a um único tipo de equipamento ou aplicativo.

A proposta também determina que a atividade seja conduzida por profissionais habilitados, de acordo com normas éticas e técnicas, em articulação com a equipe pedagógica. Portanto, não se trata de liberar telas de forma geral em sala de aula nem de substituir o trabalho de professores, mediadores ou outros profissionais.

Tecnologia teria função complementar

Um dos pontos centrais é o caráter complementar. O texto afirma que os recursos digitais não poderão substituir abordagens terapêuticas e pedagógicas reconhecidas. A escolha dependerá de avaliação técnica e deverá considerar as necessidades do estudante, a faixa etária, o nível de desenvolvimento e o tempo adequado de exposição.

Essa distinção ajuda a evitar uma leitura equivocada. A proposta não apresenta celular ou tablet como solução automática para o autismo. O equipamento seria apenas uma ferramenta dentro de um planejamento mais amplo, com objetivos definidos e acompanhamento dos resultados.

Quais objetivos aparecem no projeto

O PL 321/2026 enumera possíveis finalidades do uso orientado de tecnologia. Entre elas estão apoiar a comunicação verbal e não verbal, estimular habilidades cognitivas, sociais, emocionais e motoras, ampliar atenção e engajamento e permitir sistemas de comunicação alternativa e aumentativa.

O texto inclui ainda autonomia, inclusão e participação do estudante no ambiente escolar. Essas metas não são garantidas pelo simples uso de uma tela. Na prática, a ferramenta precisaria ser escolhida conforme o perfil individual, aplicada com mediação e integrada às atividades educacionais e terapêuticas.

O que a aprovação ainda não muda

A aprovação ocorreu em uma comissão e não encerra a tramitação. O projeto ainda deve passar por análises relacionadas aos direitos das pessoas com deficiência, ao impacto financeiro e à compatibilidade jurídica e constitucional. Depois, o processo legislativo também envolve a outra casa do Congresso.

Por isso, famílias e escolas não devem interpretar a notícia como criação imediata de um novo direito, obrigação de compra de equipamentos ou autorização automática para profissionais externos. As regras atuais de cada rede de ensino e de cada instituição continuam valendo enquanto não houver norma definitiva.

Cuidados para famílias e escolas de São Paulo

Mesmo sem mudança legal imediata, a discussão reforça a importância do planejamento individualizado. Famílias podem conversar com a escola e com a equipe responsável para entender se algum recurso assistivo já faz parte do plano do estudante, qual objetivo pretende atender e como o uso será acompanhado.

  • Peça que a finalidade da ferramenta seja explicada em linguagem clara.
  • Confirme quem orientará o uso e como escola e atendimento terapêutico irão se comunicar.
  • Verifique se o tempo de tela respeita idade, desenvolvimento e necessidades individuais.
  • Acompanhe resultados concretos, como comunicação, participação e autonomia.
  • Evite aplicativos ou métodos vendidos como solução universal ou cura.

O diagnóstico não torna todos os estudantes iguais. Uma estratégia útil para uma pessoa pode ser inadequada para outra. A decisão deve considerar avaliação profissional, consentimento da família, contexto escolar e revisão periódica do plano.

Como acompanhar a tramitação

O número de referência é PL 321/2026. O Portal da Câmara reúne a íntegra do texto e as etapas oficiais. Consultar esse registro é a forma mais segura de saber se houve nova aprovação, alteração do conteúdo, envio para outra fase ou encerramento da tramitação.

Também é importante conferir a versão mais recente antes de compartilhar orientações. Projetos podem receber substitutivos e ajustes. Uma regra citada hoje pode mudar durante a análise, razão pela qual documentos e notícias devem sempre indicar que a medida ainda está em discussão.

Perguntas frequentes

O uso de tablets por terapeutas já está liberado por uma nova lei?

Não. Houve aprovação em uma comissão, mas o projeto continua em tramitação e ainda não produz uma nova regra nacional.

A proposta substitui terapias ou atividades pedagógicas?

Não. O texto determina caráter complementar e exige uso planejado, individualizado e supervisionado por profissional habilitado em articulação com a equipe escolar.

O projeto vale para escolas de Avaré e do Estado de São Paulo?

Se virar lei nacional, o alcance incluirá São Paulo. Neste momento, porém, famílias e escolas devem seguir as regras atuais e acompanhar a tramitação oficial.

Fontes

Marcelo Ortega
Sobre o autor

Marcelo Ortega

Atua em Avaré-SP e região acompanhando temas de interesse público: saúde, inclusão, educação, mobilidade, proteção animal e desenvolvimento social. Neste portal, publica notícias e análises com compromisso com a informação correta e a escuta da comunidade.

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